As Américas eram um paraíso, os povos originários viviam em suas comunidades de forma organizada e estruturada onde prevalecia uma convivência harmônica interna dentro das tribos das diversas etnias.
No entanto, com o desgaste político e econômico das nações européias e o exaurimento dos recursos naturais, do solo, e de todo o sistema político econômico, a queda dos impérios Romano e Bizantino, como também, o surgimento da burguesia (entre os séculos X e XIV). houve uma grande crise nesta região do planeta.
Em 1453 Constantinopla foi tomada e bloqueada pelo Império Otomano, que impediu ou taxou pesadamente a exportação dos produtos que saiam das índias para a Europa. Gerando, assim, transformações e uma grande crise para o Continente Europeu. Esta crise econômica gerou a necessidade de novas rotas marítimas para os países europeus, principalmente para Portugal e Espanha. E assim, em função da necessidade de exploração de novas rotas marítimas, em uma expedição que sairia da Portugal para as Índias, a esquadra portuguesa liderada por Pedro Álvares Cabral, chegou ao Brasil em 22 de abril de 1500. Assim, o Continente América do Sul sofreu uma invasão (travestida de descobrimento por acaso), um golpe paras as diversas etnias originárias que viviam neste continente; iniciando, assim, uma nova ordem constitucional, passando o território que hoje denomina-se Brasil a pertencer a Portugal, um reino europeu absolutista, sob a benção da Igreja Católica Apostólica Romana, porquanto, no período dos reinos absolutistas, os reis deviam ter sua autoridade abençoada pelo Papa, e eram considerados escolhidos por Deus.
Então, inciou-se a exploração do território e seus recursos naturais, tentativas de escravizar os indígenas, estupro das índias, muitos confrontos com as diversas aldeias, sem paridade de armas bélicas, porque os indígenas não conheciam armas de fogo, e também, os colonizadores trouxeram diversas doenças e pragas.
Como a escravização da população originária não teve o êxito esperado, a Igreja Católica autorizou escravizar os negros africanos para povoar o novo mundo. Gerando mais de três séculos de uma exploração degradante e desumana dos africanos que eram sequestrados, para aqui serem forçados a trabalhar de forma extenuante, separados de suas famílias; suas mulheres estupradas e sem direito a criar seus filhos.
Portugal defendia e ampliava seu domínio sobre o território que hoje compõe o Brasil com imposição de força e grande violência.
Vários ciclos econômicos foram explorados durante a colonização, desde a extração do pau-brasil, cana-de-açúcar, extração de ouro, diamantes e produção de café, contando com a mão-de-obra dos africanos, que eram tratados como mercadoria e como gado. Estes não eram considerados humanos, pois inventaram que não tinham espírito. De atrocidade a atrocidade, de perversidade a perversidade, o Brasil tornou-se independente de Portugal em 7 de setembro de 1822 e aboliu a escravatura em 13 de maio de 1888, encerrando assim um ciclo de escravidão normativa, legal. No entanto, nenhuma reparação aos escravizados foi instituída, e ainda, foram trazidos imigrantes europeus que tomaram seus postos de trabalho.
A população negra, apesar de livre, sofria intensamente, pois não tinham acesso a educação e qualificação profissional, não tinham acesso a saúde e moradia, passando a viver nas ruas ou em comunidades precárias, sem saneamento básico, iniciando o processo de favelização no país. E, mesmo após a Proclamação da República em 15 de novembro de 1989, que iniciou uma política baseada na separação entre o estado e a igreja, no federalismo, no presidencialismo, no equilíbrio dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. sendo esta é a quarta ruptura institucional desde a descoberta do Brasil, considerando que a primeira foi quando Portugal tornou o território brasileiro sua Colônia, impondo aqui a Constituição do Estado Português e a vinculação ao domínio do Vaticano; a segunda foi a emancipação em relação a Portugal em 1822 (que apenas consolidou-se em 2 de julho de 1823 na Bahia); e a terceira, em 1840 com a maioridade de D. Pedro II.
De 1889 até 15 de janeiro de 1985 o Brasil ainda sofreu mais cinco rupturas institucionais 1891, 1930, 1937,1945 e 1964; sendo o período de 1964 a 1985 um dos regimes de exceção mais violentos após a ruptura com o Reino de Portugal. O Estado brasileiro era formado por um grande abismo social, imperando discriminação social, racismo, falta de políticas públicas que promovessem educação, proporcionasse acesso a saúde, justiça e direitos humanos, redução da pobreza e mortalidade infantil. Mas, com a redemocratização do Brasil e promulgação da Constituição Federal em 5 de outubro de 1988, o país passou a implementar políticas públicas importantíssimas para a redução das desigualdades sociais, sendo esta constituição apelidada de Constituição Cidadã, porque colocou os direitos fundamentais do cidadão e a dignidade da pessoa humana no centro do Estado.
Nas últimas quatro décadas de redemocratização, políticas públicas de curto, médio e longo prazo foram implementadas pelos diversos governos que administraram a nação brasileira, dentre as quais EQUIPARAÇÃO DOS TRABALHADORES RURAIS COM URBANOS, BPC/LOAS, VALORIZAÇÃO DO SALÁRIO MÍNIMO, INSTITUIÇÃO DE CONCURSOS PÚBLICO PARA SERVIDORES, COTAS PARA PESSOAS PRETAS E PARDAS E PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, PROCESSO LICITATÓRIO, ECA, ESTATUTO DO IDOSO, FIES, O PROUNE, O PET, VALE GÁS, BOLSA ESCOLA, BOLSA FAMÍLIA, MINHA CASA MINHA VIDA, PROGRAMA MAIS MÉDICO, INCENTIVO A PESQUISAS CIENTÍFICAS, MITIGAÇÃO DE NEPOTISMO, PRESERVAÇÃO DA MORALIDADE INSTITUCIONAL, VALORIZAÇÃO DA VACINAÇÃO NACIONAL, FARMÁCIA POPULAR, ETC., tornando-se o Estado Brasileiro, um estado muito mais humanizado, que procura universalizar acesso a serviços públicos como saúde e educação, previdência e assistência social, como também, promover acesso à moradia digna e saneamento básico.
Contudo, em 8 de janeiro de 2023, sofremos mais uma grave tentativa de ruptura institucional, disfarçada de manifestação. sendo esta tentativa de ruptura, que ainda tem sido uma forte ameaça, pois há políticos que afirmam que irão modificar a nossa Constituição Cidadã, o prenúncio de uma grande tragédia social, que deve proporcionar o encerramento da grande maioria destes programas que reduziram as desigualdades sociais e, promoveram a equidade entre os cidadão.
O Brasil já enfrentou muitas crises nas últimas quatro décadas, causadas por quebra de decoro parlamentar, suspeitas de improbidade administrativa, peculato e corrupção. Porém, temos uma Constituição que nos permite investigar, processar e punir respeitando a presunção da inocência e o devido processo legal. Há ainda muito mais a evoluir, refazer as trajetórias e harmonizar os poderes, sem que se percam as conquistas implementadas a duras penas, que custou a liberdade, a integridade e a vida de muitas pessoas que sofreram violência por parte do Estado Brasileiro antes da redemocratização e da promulgação da Constituição Federal de 1988.
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