segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Fórum Ruy Barbosa: uma história viva.

 



Um dos mais importantes símbolos da memória jurídica, histórica e cultural da Bahia, o Fórum Ruy Barbosa preserva em seus espaços lembranças que atravessam décadas e ajudam a contar parte da história do estado e do Brasil.

Em meio à paisagem histórica de Salvador, o Fórum Ruy Barbosa se destaca não apenas como um espaço ligado à Justiça, mas também como um verdadeiro lugar de memória. Seus corredores, salões, documentos, objetos históricos e monumentos guardam fragmentos de diferentes períodos da vida jurídica e política baiana.



O edifício recebeu o nome de Ruy Barbosa, um dos mais importantes juristas brasileiros, conhecido também por sua atuação como escritor, jornalista, diplomata e político. A escolha do nome reforça a relação do espaço com a trajetória de um dos grandes personagens da história da Bahia e do Brasil.



 Uma construção marcada pela história


A construção do Fórum Ruy Barbosa teve início em 1934, por iniciativa e incentivo do desembargador Pedro Ribeiro de Araújo Bittencourt, então presidente do Poder Judiciário da Bahia, que naquele período era denominado Corte de Apelação.

A obra se estendeu por quinze anos. Finalmente, em 1949, o edifício foi inaugurado como parte das comemorações do centenário de nascimento de Ruy Barbosa.

Desde então, o Fórum passou a ocupar um lugar de destaque na história do Judiciário baiano.

Durante décadas, o prédio foi sede do Poder Judiciário da Bahia, concentrando importantes atividades relacionadas à Justiça no estado. Essa função permaneceu até março de 2000, quando o Judiciário passou por mudanças e o espaço passou a abrigar principalmente a primeira instância e algumas unidades judiciárias.

Mais do que uma mudança administrativa, esse momento representa também uma nova etapa na história do edifício, que continuou desempenhando importante papel na preservação da memória do Judiciário.


 Ruy Barbosa permanece presente



Um dos elementos mais simbólicos do Fórum está relacionado ao próprio personagem que dá nome ao prédio.

Os restos mortais de Ruy Barbosa e de sua esposa, Maria Augusta Viana Bandeira, foram trasladados do Rio de Janeiro para Salvador e encontram-se no Fórum Ruy Barbosa.

A presença dos restos mortais transforma o edifício em um espaço de grande significado histórico e simbólico. É como se a memória do jurista permanecesse integrada ao cotidiano de uma instituição que representa justamente um dos campos pelos quais ele ficou conhecido: o Direito.

O local possibilita, portanto, uma aproximação entre passado e presente. Ao mesmo tempo em que abriga atividades relacionadas à Justiça, preserva a lembrança de uma personalidade fundamental para compreender a formação política e jurídica do Brasil.


Um patrimônio de conhecimento


Outro espaço de grande importância é a biblioteca do Fórum Ruy Barbosa, que reúne um acervo de obras relacionadas ao Direito e à história da instituição.

Com dezenas de obras, a biblioteca representa uma importante fonte de pesquisa e conhecimento. Livros antigos e documentos ajudam a compreender a evolução do pensamento jurídico e das instituições brasileiras.

Para estudantes, pesquisadores e visitantes interessados pela história, esses acervos representam muito mais do que livros: são registros de diferentes épocas e testemunhos da transformação da sociedade brasileira.


Salões que guardam memórias


O Fórum também possui salões nobres, espaços utilizados para solenidades, cerimônias e julgamentos.

Esses ambientes possuem importância arquitetônica e histórica. Ao longo dos anos, foram palco de acontecimentos relacionados à vida institucional do Judiciário baiano.

Cada solenidade realizada nesses espaços acrescenta uma nova camada à história do edifício. Por isso, conhecer seus salões é também conhecer um pouco da trajetória das instituições responsáveis pela aplicação da Justiça na Bahia.


Memorial do Poder Judiciário: memória preservada

Um dos espaços mais importantes para quem deseja conhecer a história da Justiça baiana é o Memorial do Poder Judiciário.

O memorial reúne mais de 80 peças históricas, que ajudam a reconstruir diferentes momentos da trajetória do Judiciário.

Documentos, objetos e outros elementos do acervo permitem ao visitante observar como as instituições jurídicas se transformaram ao longo do tempo.

Nesse sentido, o memorial exerce uma função fundamental: preservar a memória para que ela não fique restrita aos livros de História.

A experiência de observar um objeto utilizado décadas atrás pode aproximar o visitante de um passado que, muitas vezes, parece distante e abstrato.



Arquitetura e memória

A importância do Fórum Ruy Barbosa não está apenas naquilo que acontece dentro de suas salas. O próprio edifício constitui um elemento da memória urbana de Salvador.

Sua arquitetura, seus ambientes internos e os símbolos presentes no espaço contribuem para transformá-lo em um ponto de interesse histórico e cultural.

Em uma cidade como Salvador, onde diferentes períodos históricos convivem no mesmo espaço urbano, edifícios como o Fórum Ruy Barbosa ajudam a preservar a identidade da cidade.

A construção pode ser compreendida como uma espécie de documento arquitetônico: suas paredes e ambientes testemunharam mudanças políticas, sociais e institucionais ocorridas ao longo de décadas.


Um lugar onde passado e presente se encontram


Visitar o Fórum Ruy Barbosa é, de certa maneira, realizar uma viagem pela história.



Ali estão reunidos diferentes elementos: a memória de Ruy Barbosa, a trajetória do Poder Judiciário da Bahia, livros, documentos, objetos históricos, espaços de solenidade e elementos arquitetônicos.

Essa combinação faz do Fórum um patrimônio de grande valor simbólico.

Mais do que um prédio utilizado pelo sistema de Justiça, ele representa uma ponte entre diferentes gerações. O passado está presente nos documentos e objetos preservados, enquanto o presente continua sendo construído diariamente pelas pessoas que trabalham e circulam pelo local.

Por que preservar lugares de memória?


Preservar espaços históricos é preservar a possibilidade de compreender quem somos.


Quando um edifício, um documento ou um objeto é conservado, não se preserva apenas sua materialidade. Preservam-se também histórias, experiências, conflitos, conquistas e transformações sociais.

O Fórum Ruy Barbosa demonstra como a memória institucional pode dialogar com a história da sociedade.

Conhecer esse patrimônio é compreender que a história da Bahia não está apenas nos grandes acontecimentos registrados nos livros. Ela também está nos prédios, nas instituições, nos documentos e nos lugares que permanecem testemunhando a passagem do tempo.


Uma história que continua viva

Ao completar décadas de existência, o Fórum Ruy Barbosa permanece como uma referência para o Judiciário baiano e como um espaço de preservação da memória.

Sua trajetória começou com uma grande obra iniciada em 1934, passou pela inauguração em 1949, acompanhou importantes transformações do Poder Judiciário e chegou ao presente mantendo parte significativa de seu patrimônio histórico e cultural.

Os restos mortais de Ruy Barbosa e de sua esposa, a biblioteca, os salões nobres e o Memorial do Poder Judiciário formam um conjunto que ajuda a transformar o edifício em muito mais do que uma instituição jurídica.


Fotos: Rosa Pinto

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Cantor baiano Narcizinho é convidado do grupo Gilsons para show no Rock in Rio 2026

Autor das músicas "Várias Queixas e Bem Me Quer", cantor baiano Narcizinho é convidado do grupo Gilsons para show no Rock in Rio 2026

Apresentação será realizada no Rio de Janeiro dia 12 de setembro (sábado), no palco Sunset


Com 30 anos de história no mercado musical e uma das grandes vozes do samba-reggae na Bahia, *o cantor e também compositor Narcizinho, é convidado do grupo Gilsons para participação em show no Rock in Rio 2026*. A apresentação acontecerá no Rio de Janeiro neste sábado (12 de setembro), no palco Sunset. Autor da música "Várias Queixas" gravada desde 2009 e que explodiu no Brasil em 2021 quando regravada pelos Gilsons e depois pela cantora Anitta na versão espanhol, Narcizinho - A Voz Afro do Brasil, já foi um dos vocalistas da banda Olodum por 16 anos. No repertório do Gilsons, está ainda a canção "Bem Me Quer", outra autoria do artista baiano. O single pode ser encontrado em todas as plataformas digitais.


Recentemente Narcizinho lançou sua carreira solo, onde vem seguindo com ensaios mensais no Pelourinho, em Salvador. _"Estou extremamente feliz e honrado com esse convite dos meus amigos e parceiros Gilsons. É uma grande honra pra mim dividir o palco com eles e ainda mais num evento tão grandioso e importante para a música brasileira, como é o Rock in Rio. "Várias Queixas" é sucesso no mundo inteiro. Vamos fazer uma noite linda e celebrar a alegria e o amor pela arte, pela música. Neste novo momento da minha carreira, só tenho a agradecer a Deus por todas as conquistas que venho realizando"_, comenta Narcizinho.



Nascido no bairro do Uruguai e morado em outros locais do subúrbio da capital soteropolitana, como Vista Alegre, Fazenda Coutos e Paripe, o artista conta que teve sua primeira experiência na música com o bloco afro chamado Abi-Si-Aiyê, originário de Vista Alegre. Já foi também vocalista por cinco anos do Muzenza - bloco do Carnaval de Salvador e que é famoso por celebrar o movimento Rastafári e a resistência do povo negro. Além disso, traz na sua trajetória outros singles como Doce Mel (em 2012), Nos Bailes da Vida (em 2014 - composta por Milton Nascimento e Fernando Branti), Belo Dom (2014) e Sereia (2019). Mais informações sobre o cantor, através das redes sociais. Instagram @narcizinhooficial



📸 Foto divulgação




quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Sinais de um Planeta em Chamas e Encharcado: Como a Crise Climática Conecta Amazônia, EUA, Rio Grande do Sul, China e Himalaia

 Das florestas tropicais da América do Sul às cristas congeladas do Himalaia, o planeta Terra parece estar emitindo um pedido de socorro simultâneo.  . Quando observamos o noticiário global, a sensação de caos pode parecer uma sucessão de tragédias imprevisíveis.  . No entanto, cientistas e climatologistas alertam: não há coincidência na frequência e na intensidade dos eventos extremos que assistimos hoje.


As queimadas na Amazônia, no Pantanal e no oeste dos Estados Unidos, somadas às inundações históricas no Rio Grande do Sul, na China e à catástrofe glacial no Himalaia, são manifestações do mesmo fenômeno fundamental: a desregulagem profunda do sistema climático global causada pelas emissões de gases de efeito estufa e o aquecimento da atmosfera e dos oceanos
📷aljazeera

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1. O Lado Quente: Incêndios e Secas Extremas (Amazônia, Pantanal e EUA)


O aquecimento global não significa apenas dias mais quentes; ele altera radicalmente a circulação atmosférica e os padrões de precipitação, prolongando e intensificando as temporadas de seca
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  • Amazônia e Pantanal: A combinação do desmatamento com temperaturas globais recordes enfraquece a capacidade natural das florestas e áreas úmidas de reter umidade. A Amazônia, responsável por produzir os chamados "rios voadores" que distribuem chuva pelo continente, entra em ciclos de secas severas que transformam vegetações densas em combustível seco. . No Pantanal, a falta prolongada de chuva e as altas temperaturas transformam a maior planície alagável do mundo em focos incontroláveis de incêndio.

Queimada ilegal na Amazônia — Foto: AFP
                                               

  • Oeste dos Estados Unidos: Na Califórnia e em estados vizinhos, o cenário é assustadoramente similar. . O aumento das temperaturas médias prolonga a temporada de incêndios, secando a vegetação rasteira e criando condições para "tempestades de fogo" que avançam sobre zonas urbanas com rapidez inédita.

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2. O Lado Aquático: Inundações Relâmpago e Chuvas Torrenciais (Rio Grande do Sul e China)


Por um princípio básico da física, uma atmosfera mais quente consegue reter mais vapor de água - aproximadamente 7% a mais para cada 1°C de aumento na temperatura. . Quando as condições atmosféricas favorecem a condensação, esse imenso volume de água acumulado é despejado de uma só vez.
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  • Rio Grande do Sul: A presença de um bloqueio atmosférico de ar quente no centro do Brasil impediu a passagem normal de frentes frias, acumulando volumes históricos de chuva no sul do país em poucos dias. .Rios transbordaram, cidades inteiras foram submersas e milhões de pessoas foram impactadas.

  • China: Fenômenos semelhantes têm se repetido com frequência alarmante. . Chuvas de monção intensificadas e tufões mais potentes - alimentados pelas águas oceânicas superaquecidas - despejam volumes pluviométricos extraordinários sobre centros urbanos e agrícolas densamente povoados, colapsando sistemas de drenagem e gerando enxurradas mortais

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3. O Alerta Glacial: O Desgelo e o Colapso no Himalaia


Se nas planícies e florestas o impacto se reflete em fogo e água, no topo do mundo o sinal de emergência vem na forma de gelo. . A região do Himalaia Hindu Kush, conhecida como o "Terceiro Polo" da Terra por conter a maior reserva de gelo fora das regiões polares, está derretendo a uma taxa sem precedentes.

O aumento rápido das temperaturas nas altas altitudes provoca o colapso de geleiras e o enchimento acelerado de lagos glaciais. . Quando esses lagos rompem suas barreiras naturais, ou quando mega-avalanches de lama, rocha e gelo despencam pelos vales alpinos -  como a tragédia recente no Nepal -, o resultado é a destrucción instantânea de comunidades localizadas a dezenas de quilômetros de distância.




Resumo da Conexão Climática


  • Amazônia e Pantanal (Queimadas): Seca extrema, degradação do solo e perda de umidade atmosférica. Consequência: Liberação de carbono acumulado e alteração do regime de chuvas

  • Fonte: Folha de Pernambuco

    Fonte: O Globo

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  • Oeste dos EUA (Incêndios): Ondas de calor prolongadas e vegetação extremamente ressecada. , Consequência: Destruição de ecossistemas e prejuízos bilionários.

  • Rio Grande do Sul & China (Inundações): Atmosfera superaquecida retendo mais umidade e bloqueios atmosféricos. Consequência: Inundações urbanas severas e colapso de infraestruturas.

  • Himalaia (Desastre Glacial): Aquecimento acelerado de altas altitudes e derretimento de geleiras. Consequência: Avalanches mortais e risco ao abastecimento de água de bilhões de pessoas.
    Foto: aljazeera



Conclusão: Uma Teia de Eventos Interconectados


Entender que as queimadas na América do Norte e do Sul, as enchentes no Brasil e na Ásia e o derretimento do Himalaia não são tragédias isoladas é o primeiro passo para exigir soluções reais. Todos esses eventos são pontos de uma mesma teia: a interferência humana sobre os ciclos naturais do planeta..

Sem cortes drásticos na emissão de combustíveis fósseis, contenção do desmatamento e investimentos urgentes em adaptação climática, o planeta continuará a nos mostrar que os limites da natureza já foram ultrapassados. . O futuro do clima não é um debate abstrato para os próximos séculos - ele está acontecendo agora, diante dos nossos olhos.
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DESTAQUES

Fórum Ruy Barbosa: uma história viva.

  Um dos mais importantes símbolos da memória jurídica, histórica e cultural da Bahia, o Fórum Ruy Barbosa preserva em seus espaços lembranç...